Livre arbítrio







Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.


(Sara Westphal)


É hora de mais um recomeço. O velho recomeço.
Sempre que algo me atinge desse jeito eu me afasto de tudo, de todos, é aquele momento em que começa aceitação, é o momento em que o choro não fica mais incontido, onde grito, onde o meu silêncio diz mais que todas as minhas palavras. Tenho orado nesses dias, preciso de direção, respostas ou que sumam todas as minhas perguntas. É hora de ignorar o quase, respirar fundo e seguir, continuar pra algum lugar que sinceramente não sei onde fica, nem pra que serve. Mas eu tenho fé que existe algum sentido nisso tudo, tenho fé que pra alguma coisa isso valerá a pena, mesmo que eu nunca saiba pra que. É preciso ter fé em algo e eu ando me agarrando nesse algo, nesse alguma coisa.
Entreguei todas as minhas perguntas a Deus, Ele tem sido a minha única e melhor companhia, sempre foi.


Nunca tive escolhas, nunca pude decidir entre fugir ou enfrentar, nunca pude arrumar minhas coisas e ir embora, talvez porque se tivesse certamente teria feito. De alguma forma estranha algo precisa que eu fique, que permaneça, que eu continue a ser eu seja lá o que isso quer dizer. 


Deixei de esperar, deixei de buscar um sinal em tudo, reavaliei situações e mesmo com a cabeça tão cheia, com o coração tão cansado eu admito que além de todos os "quases", além de todo o irreparável, tenho que admitir que todo esforço feito por algumas pessoas foi em vão. Tem coisa mais difícil que continuar sem a menor vontade? Tem algo pior que não poder desistir?! Tem algo mais triste do que te tirarem o poder da escolha?!


Os dias continuarão a passar e eu continuarei a passar por toda a chuva e tempestade que me é dada. Sempre indo a alguma direção, alguma que parece pré destinada, pré estabelecida. Quem sabe um dia tudo isso fará todo o sentido, quem sabe um dia eu possa gritar tudo o que sinto. Quem sabe um dia eu possa ter o direito de escrever minha própria história. Talvez um dia eu realmente faça jus ao meu nome e seja uma constelação. E acreditar nisso é minha única esperança.
Vou ficar bem, sempre fico aparentemente bem, e tenho uma guerra dentro de mim, uma história que não deixo ninguém ler, vamos continuar, não dá mais tempo de chorar e nem de pensar. Ergo a cabeça, um sorriso triste pro nada e  continuo há passos largos.
E onde quer que você esteja, você que em pouco tempo me fez ter um pouco das linhas da minha história, feliz. Saiba que o erro não foi meu, talvez o tempo errou ou a minha vida pré determinada, o meu arbítrio que parece não me dar escolhas, não permitiu. Não era pra ser. E eu só me pergunto, pelo menos pela última vez, que se a gente pode realmente, escrever a nossa vida, porque é que existe essa coisa de "não era pra ser". Um dia quem sabe, alguém irá me responder.


Kaká.

1 comentários:

Rossana Belfort disse...

eu sei que o que conversamos ontem valeu muito para nos duas, e que o nosso futuro seja melhor do que esse começo, rezaremos sempre pq so Ele como lhe disse que nós da formas para continuar a lutar...

amo vc!!